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  Dicionário das Disfunções Sexuais
 
Anatomia Peniana
Fratura do Pênis
Anorgasmia
Hipogonadismo
Aumento Peniano
Hiperprolactinemia
Ausência de Ejaculação
A Atividade Sexual em função da Idade
Impotência sexual (disfunção erétil)
Incidência da Disfunção Erétil
Ejaculação Dolorosa
Peyronie
Ejaculação Precoce
Priapismo
Ejaculação Retrógrada
Prótese
Ereção Peniana    

Anatomia Peniana

O pênis é formado por um par de corpos cavernosos e um corpo esponjoso.  Cada corpo cavernoso  é  envolvido  por  uma  espessa  e  não distensível  bainha denominada túnica albugínea.
O parênquima do corpo cavernoso é formado por tecido trabecular constituído  de células musculares lisas e endoteliais, envolto por uma trama  de  fibras  colágenas, fibroblastos e elastina.  O suprimento sanguíneo dos corpos cavernosos origina-se das  artérias  cavernosas direita e esquerda, que formam ramos helicoidais, denominadas artérias helicinais.  A drenagem venosa origina-se dos espaços sinusoidais que  drenam  para  o  plexo venoso subalbugíneo para formar as veias emissárias, que, finalmente, drenam para a veia dorsal profunda do pênis.  A intervenção peniana é oriunda dos sistemas nervosos simpático (medula espinhal toracolombar) e parassimpático (medula espinhal sacral) e somatossensoriais (nervo dorsal e pudendo)
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Anorgasmia

A anorgasmia é uma condição relativamente rara. Caso seja primária, quase que certamente é psicogênica, mas anorgasmia secundária pode ocorrer em pacientes com lesão da medula espinhal ou outras doenças neurológicas.
 

Aumento Peniano

Os procedimentos de aumento peniano  podem ser indicados  por  razões funcionais ou cosméticas. Nos pacientes usando  drenagem  por   condom   para  incontinência urinária, especialmente  aqueles  com lesões  espinhais,  um   comprimento  peniano inadequado  pode   causar   dificuldade   em   usar   o   dispositivo.   Aumento   do comprimento pode ser alcançado pela divisão do  ligamento  suspensor  ou  inserção de uma prótese peniana semi rígida.  Recentemente um  maior  interesse  está  focado   nos  procedimentos  de   aumento peniano por razões cosméticas.  O comprimento  de um pênis normal ereto não está
bem correlacionado com o comprimento do pênis  flácido, mais pode  ser   avaliado pela medida do comprimento do pênis  esticado  da  púbis  até  a  extremidade da glande.  Após injeção intracavernosa de prostaglandina, a média de   comprimento peniano  de  um homem caucasiano de 14,6 cm  (5,7  polegadas),  com uma circunferência de 12,0 cm (4,7 polegadas) na base, 11,3 cm  (4,4  polegadas) na coroa da glande.  Alguns têm sugerido que o aumento peniano deve ser restrito aos homens com comprimentos penianos  flácidos  maiores  que  dois  desvios  padrões abaixo do normal.  Provavelmente mais importante, entretanto, é   a  percepção  do paciente sobre o comprimento de seu pênis.  Na verdade, a maioria das cirurgias  de alongamento peniano são realizadas não para provocar um aumento do tamanho  da ereção, mas sim para melhorar a aparência junto a  parceira  ou  a  auto  estima  do paciente. É essencial, portanto, que os pacientes obtenham um aconselhamento pré cirúrgico   apropriado  e  um  entendimento  realístico  dos  possíveis  benefícios  e  complicações  da cirurgia.  A  abordagem  cirúrgica  exata  depende  da  anatomia  de cada indivíduo.  Algumas vezes, comprimentos  adequados  podem  ser obtidos por lipoaspiração supra púbica com ou sem divisão  do  ligamento  suspensor.  O  procedimento  mais  comumente realizado combina esta divisão com um retalho  em V-Y  elevado  no  sentido  supra púbico. Entretanto, a incidência de complicações deste procedimento é significativa, já que os retalhos têm sua base fixada distalmente, resultando  em  uma  significante interrupção do fluxo sanguíneo e linfático para o pênis. Isto resulta em uma  incisão de difícil cicatrização, edema, problemas isquêmicos e possível necrose da borda.  Caso  os  retalhos  sejam  muito   largos,  os   resultados   cosméticos   podem  ser insatisfatórios,  já  que  eles  levam  a  pilificação  para  o  pênis  e, freqüentemente deixam orelhas de cachorro na porção escrotal da cicatriz.  Os  resultados  deste tipo de cirurgia  não estão  bem  documentados, mas parece que o comprimento máximo que pode ser alcançado com segurança é da  ordem  de  2-3  cm.  A  freqüência  de complicações  é  significante  como  visto  por  relatos  de  inúmeros  pacientes  que procuram  posteriormente  cirurgias  plásticas  corretivas,  as  quais  freqüentemente necessitam de uma reversão dos retalhos.
As  tentativas  iniciais  para  aumentar  o  diâmetro  do  pênis  envolvem injeções de gordura abaixo da fáscia superficial. Estes procedimentos geralmente  fracassam,  já que 50% a 90% da gordura injetada é absorvida dentro de 1 ano.  Esta   abordagem
pode resultar em uma ampla variedade de desastres cosméticos tais como, assimetria do pênis e formação de nódulos e curvaturas em forma de S.  Tem ocorrido  relatos de migração da  gordura  distalmente  para  o  sulco  coronal.  Melhores  resultados foram alcançados com o uso de enxertos dermo gordurosos obtidos da virilha ou das nádegas. Estes enxertos são colocados entre as fáscias superficial e de Bulk, e podem adquirir a forma de várias tiras longitudinais ou de uma folha única ao  redor de toda a circunferência peniana exceto a uretra.  A folha única evita a formação  de pontes. Novamente os  resultados  a longo  prazo  são  desconhecidos mas, a técnica pode produzir aumentos de circunferência de até 5 cm.
 

Ausência de Ejaculação

Falta de ejaculação pode ocorrer devido a anormalidades na produção ou estocagem do semem, ou a  condições  que afetem o processo de expulsão. Causas psicológicas são comuns  mas, se  um  homem  nunca  ejaculou, deve-se  suspeitar de uma causa orgânica. Anomalias  congênitas  como  ausência  de vesículas seminais ou glândula prostática, podem ser responsáveis, apesar  disto  ser  muito  raro. Cirurgia  é  uma causa comum de dano ao tronco simpático e pode causar falta de ejaculação.  Na realização  de  cirurgias  para  câncer, tais  danos  podem  ser  inevitáveis  mas, quandopossível, todo cuidado deve ser tomado para preservar os  nervos. Cirurgias vasculares e de dessecação dos linfonodos retroperitoneais também  são  propensas  a causar tais problemas.  Prostatectomia  radical  quase que  invariavelmente  resulta em perda da ejaculação, apesar  das  secreções  das  glândulas  para  uretrais  poderem  provocar  pequenas emissões.
 

Definição de impotência sexual (disfunção erétil)

O termo impotência tem englobado um  grande  número  de  patologias, da  ereção, ejaculação e mesmo preferência ou  orientação  sexual.  Preferimos o termo disfunção  erétil, a  qual  é  definida  aqui como a incapacidade em conseguir uma ereção que seja adequada para a relação sexual com  a satisfação  de ambos os parceiros.
 

Ejaculação Dolorosa

A  ejaculação  dolorosa  é  normalmente  um  sintoma  de  inflamação  da  próstata, vesícula  seminal  ou  uretra.  Na  prostatite é comum que a dor apareça logo após a ejaculação,  persistindo   por  horas  ou  mesmo  dias.  Ela  pode  se  localizar  nos testículos, períneo ou irradiar-se para a virilha ou região supra púbica. Homens com suspeita  de  prostatite  devem  ser   apropriadamente   investigados   procurando-se uma causa. Homens jovens podem adquirir prostatite como uma doença sexualmente transmissível, e devem ser imediatamente encaminhados a uma clínica urológica.  Rastreamento  e  avaliação  das  parceiras  sexuais  é importante, no mínimo devido ao  risco  para  a  fertilidade  da  mulher  causada  por  infecções por clamídia. Em homens idosos, se a transmissão sexual parece pouco provável, o encaminhamento a um urologista pode ser mais apropriado.
 

Ejaculação Precoce

Apesar de não existir uma definição que seja mundialmente  aceita  para  ejaculação precoce, o termo implica em uma inabilidade do homem em retardar o momento  da ejaculação para proporcionar satisfação para si ou para sua parceira.  Existem algumas evidências que homens com ejaculação precoce podem  apresentar um aumento da sensibilidade do corpo ou da glande peniana mas, na grande maioria dos casos, parece  claro que o  problema  é devido muito mais a fatores psicosexuais do que  orgânicos. As  exatas  razões  para tal fato ainda não foram explicadas, mas pode ser devido a uma falha no aprendizado de como identificar o momento a partir do  qual  o  orgasmo  e  a  ejaculação  se  tornarão  inevitáveis.  Caso isto possa ser identificado  e  a  estimulação  interrompida, o  homem  pode  aprender a retardar a ejaculação. Algumas  técnicas  de  terapia  sexual  consistem em auxiliar o homem a aprender a identificar este ponto de retorno.  Bancroft (1989) sugeriu que para homens com este problema, a  ejaculação  tende  a tornar-se mais rápida e o orgasmo menos satisfatório de modo que o resultado final é a ejaculação sem ereção. Existe uma  forte  associação  entre  ejaculação  precoce  e falha na  ereção, a  tal  ponto  que  alguns  homens  podem  não  ter uma ejaculação precoce verdadeira, mas sim podem ejacular antes que tenham alcançado uma rigidez completa.  Terapia  sexual  segundo  as  orientações descritas acima é o tratamento padrão para este  problema. Os  resultados  desta  abordagem  não  estão, no  geral,  exatamente definidos, tendo sido relatado percentagens de até 40% de sucesso.  Entretanto  existem  algumas  evidências  obtidas por questionários para seguimento que esta melhora não é mantida com freqüência.  Outros métodos de tratamento incluem o uso tópico  de  cremes  anestésicos, drogas antidepressivas e injeções intracavernosas.  Anestesia local tópica tem sido usada por muitos anos, e alguns homens podem ter adquirido sprays retardadores  ou  cremes através  do  correio  ou  de  sex  shops, antes  de  procurarem  por  aconselhamento médico. Estes  cremes e  sprays  podem  causar reações de hipersensibilidade local e também causar  um  certo  grau de anestesia tornando o pênis insensível e levando a anorgasmia. O creme também pode levar a um quadro semelhante na parceira. Houve alguns resultados encorajadores com os antidepressivos, clomipramina 25 mg por dia, fluoxetina  e  paroxetina 20 mg por dia. Outros pesquisadores as tem usado conforme a necessidade. Estas  drogas  podem, no entanto, apresentar alguns efeitos colaterais desagradáveis e não estão no momento autorizadas para esta finalidade.  As drogas  vasoativas  intracavernosas podem ser úteis para alguns pacientes já que, apesar  de  não  retardarem  a  ejaculação, elas  evitam a detumescência, permitindo desta maneira a continuação da relação sexual para a satisfação do casal.  No atendimento  primário, a  terapia  sexual  ainda  é o  tratamento  de escolha para ejaculação precoce até que maiores evidências sobre a  segurança  e  a  eficácia  dos tratamentos medicamentosos se tornem disponíveis.
 

Ejaculação Retrógrada

A ejaculação retrógrada ocorre quando há falha no fechamento do colo vesical.  Causas  congênitas são raras e usualmente devidas a anomalias de desenvolvimento dos ductos ejaculatórios (p.ex. abertura no colo vesical), ou neuropatia.  A incidência de ejaculação retrógrada após cirurgias no colo vesical na infância é de 5 a 15%. Entretanto, o risco é muito maior quando realizada  na  vida  adulta, com cirurgias  no  colo  vesical ou na próstata evitando a ejaculação em 50 a 60% e 70 a 80% respectivamente. Por outro lado, ao alfabloqueadores utilizados para tratamento da obstrução do fluxo urinário induzem ejaculação retrógrada em aproximadamente 5% dos homens, sendo seus efeitos reversíveis após a parada da medicação.  Causas neurológicas não são incomuns, especialmente em pacientes diabéticos.  Nestes  homens  o  início é freqüentemente gradual e alguns relatos sugerem que até 50%dos homens podem ser eventualmente afetados. Pacientes com lesão da  medula espinhal  ou  outras  doenças  neurológicas  (p.Ex. esclerose  múltipla,  síndrome de Guillain-Barré)  também  podem  ser  afetados.  Causas  obstrutivas  não  são  vistas atualmente  com  freqüência  e  são  usualmente  devidas  a  constrição uretral ou do meato.
 

Ereção Peniana

A  ereção  peniana  é  uma  resposta  fisiológica  dependente  da  integração  de mecanismos psíquicos,  vasculares,  endócrinos,  neurológicos   e   miogênicos desencadeados  por  estímulos  sensitivos locais dos   órgãos   genitais ereções reflexogênicas  e/ou  por  estímulos  psicogênicos  de  origem  central - ereções
psicogênicas.  As ereções reflexogênicas são desencadeadas por estímulos de receptores da pele e da glande peniana transmitidos pelo nervo dorsal do pênis ao nervo pudendo.  As ereções psicogênicas são mais complexas e menos compreendidas.  Uma  grande  variedade  de  estímulos,  incluindo  visual,  olfativo,  gustativo  e auditivo, promove uma  resposta  erétil  supra-espinal. Assim, várias  regiões  do cérebro,  tais  como  núcleo  talâmico,  rinencéfalo  e  estruturas  límbicas, estão envolvidas na  modulação  da  ereção  peniana  psicogênica.  Mecanismos  eréteis psicogênicos e reflexogênicos agem sinergicamente no controle da ereção peniana.
 

Fratura do Pênis

Fratura do pênis ocorre quando uma força anormal no pênis ereto produz um rasgo na túnica albugínea do corpo cavernoso. É uma lesão incomum e é usualmente, mas não sempre, resultado de um trauma durante a ereção. A maioria envolve dano em somente um dos corpos, mas a fratura é bilateral em 20-30% dos  casos, e  o  rasgo estende-se até a uretra em aproximadamente 10% dos casos.  Clinicamente encontra-se creptação associada a dor, edema e imediata detumescência. Sangramento externo ou hematúria podem ocorrer se houver dano na uretra.  Os sinais clínicos são usualmente diagnósticos, embora a ruptura da veia dorsal profunda possa ocorrer muito raramente e apresentar sintomas clínicos similares.  A uretrografia é indicada quando há suspeita de lesão uretral.  Historicamente, a condução da fratura de pênis envolve o tratamento conservador com analgésicos, compressas de gelo, suporte para o órgão genital e possivelmente, drogas  antiinflamatórias.  Entretanto,  os  resultados  destes  procedimentos foram insatisfatórios em aproximadamente 10-30% dos homens, os quais permanecem com dor residual ou  deformidade  que levam  a dificuldades na  relação sexual.  Por esta razão, é  preferível, realizar  imediata  exploração  da  lesão  com  esvaziamento do hematoma e identificação e reparo da mesma. A abordagem cirúrgica está associada a uma  frequência  de  complicações  significativamente  baixa e um bom retorno da função erétil. Lesões uretrais também devem ser reparadas imediatamente; apesar de uma incidência de constrição uretral de até 20% ter sido reportada neste grupo.
 

Hipogonadismo

A testosterona sérica é um importante fator na fisiologia da ereção normal.  Confirmando este fato, condições que levam a uma redução no nível de testosterona sérica irão quase que inevitavelmente ter um efeito sobre a função erétil.  A secreção de testosterona pelas células de Leydig  do  testículo  é  estimulada  pela liberação, na forma de pulsos, do hormônio luteinizante  (LH) pelo lobo anterior da hipófise   (glândula  pituitária). A   liberação   do  LH  ( e  do   hormônio   folículo estimulante ou FSH) é estimulada pela liberação, também em  forma  de  pulsos, do hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH) do hipotálamo. A  testosterona  atua sobre a hipófise e o hipotálamo para inibir a liberação de LH.  Níveis  reduzidos  de  testosterona  podem, desta  maneira, ser  devido a  problemas primários, doença  testicular, ou  secundários, redução  da  produção  de  LH   pela hipófise. O  hipogonadismo  primário  está  associado  com  a  elevação  dos  níveis séricos  de  LH e FSH, apesar  de  que  nos  casos de hipogonadismo secundário os níveis de (e usualmente de FSH) estarem baixos.  Os  efeitos  da  redução  dos  níveis  de   testosterona   sobre  a  função  sexual  são complexos e não completamente compreendidos. Pesquisa  recente  mostra  que  em ratos orquiectomizados a atividade da óxido nítrico sintetase (NOS), está diminuída, indicando que os níveis  de  testosterona  podem  modular  a  inervação  dos  corpos cavernosos. A relevância destes achados para a fisiopatologia do homem, ainda  não está clara. Sabe-se que homens com hipogonadismo não necessariamente  perdem  a ereção  reflexa  e  psicogênica, apesar  de  seu  interesse  e  desejo  sexual  estarem diminuídos. Entretanto, eles também tem uma  atividade  erétil  noturna  diminuída, com uma redução da duração e da rigidez das ereções.
O tratamento com andrógenos leva a uma restauração da função erétil.
 

Hiperprolactinemia

A prolactina é normalmente secretada  pelo  lobo  posterior  da  hipófise, sendo  seu controle realizado por neurônios  originados  no  hipotálamo. Acredita-se  que  estes neurônios sejam dopaminérgicos, e que  eles  exerçam uma influência inibidora  nas células que secretam  prolactina. Coerentemente, doenças  hipotalâmicas, tais  como tumores ou granulomas, podem levar a redução da neurotransmissão dopaminérgica devido ao aumento da secreção de prolactina.  Apesar  de  um   aumento  moderado  da  prolactina  provavelmente  não  provocar qualquer efeito sobre a ereção peniana, um significante aumento da prolactina sérica resulta em uma síndrome que consiste de DE, redução da libido e galactorréia.  A infertilidade também pode estar presente.  O mecanismo pelo qual a hiperprolactinemia leva a DE ainda é incerto.
 

A Atividade Sexual em Função da Idade

Existe  atualmente  evidência  clara  de que a função sexual diminui com o passar da idade.  Este declínio foi descrito por Kinsey em  1948, que  encontrou  um  declínio constante na frequência de coitos com o passar de idade.  Dos estudos posteriores, os dados mais importantes e  confiáveis  foram  obtidos  da análise do Massachusetts Male Ageing Study (MMAS; Feldman, 1994).  Em uma amostra de 1290 homens com idade entre 40-70 anos, 9,6%  apresentavam DE completa (sempre incapazes de conseguir e manter uma ereção adequada para  a relação sexual), 25,2% DE moderada (algumas vezes capazes de conseguir e manter uma ereção adequada para a relação sexual), e 17,2% de DE mínima (quase sempre capazes de conseguir e manter uma ereção adequada para a relação sexual).  A probabilidade de DE completa variou de 5,1% aos 40 anos até 15% aos 70.  Novamente  esta  população  foi  relativamente  selecionada, consistindo  apenas  de homens brancos de classe média vivendo em cidades.
 

Incidência (Epidemiologia) da Disfunção Erétil

É impossível definir com precisão a  população que  sofre com a  DE, uma vez que uma grande parte dela nunca procurou auxílio. Entretanto, apesar de que no passado os homens tendiam a sofrer em silêncio, em muitas sociedades a DE não é mais  um assunto  tabu, e  as  pessoas  estão  agora  bem  informadas  tanto para saber sobre a variedade de tratamentos existentes quanto para recebê-los.  A prevalência da DE na comunidade como um todo não está bem documentada.  Isto é devido, em grande parte, a variabilidade das  definições  para  DE e pelo fato que muitos estudos incluem uma população de pacientes muito seleta. Sem dúvida  a incidência depende da idade, mas é também claro que mesmo considerando-se este critério, o problema é numericamente superior nas sociedades ocidentais. Estimativas sugerem, por exemplo, que entre 10 e 18 milhões  de  homens  somente nos Estados Unidos são afetados. Se a incidência está realmente na  ordem  de  10% da população masculina adulta, deve  existir  algo  em  torno  de  2 a 3  milhões  de homens no Reino Unido que sofrem de DE.  Existem relativamente poucas  evidências  publicadas  com relação a participação da raça ou localização geográfica na incidência ou prevalência da DE.  Em  um  estudo baseado  em  um  grupo  selecionado  de  pacientes  Spector  e  Carey  (1990), não encontraram  diferença  na  frequência  da  DE  entre  homens  caucasianos e afro-caribenhos, mas o número de outros grupos étnicos minoritários era muito pequeno para permitir que uma conclusão fosse obtida.  Em um estudo com questionários em homens que participaram de uma Semana  de Detecção do Câncer de Próstata, Jonler não encontrou  diferença  na  função  erétil entre as raças, mas encontrou uma maior incidência de DE em homens  que  viviam em Medison comparado aos que viviam em Nova Orleans ou Nova York.  Eles foram incapazes de estabelecer se a classe sócio-econômica, o estado  de  saúde ou o serviço social poderiam explicar estes achados.
 

Peyronie

Doença de Peyronie é uma condição  caracterizada  pela  formação  de  uma  placa fibrótica dentro da túnica albugínea do pênis. Este  processo  freqüentemente  resulta em dor e curvatura do pênis durante a ereção. A doença  está  associada  com  uma
variedade de outras condições, incluindo contratura de Dupuytren (presente em 10-25%  dos  casos), timpanosclerose   e   inchaço   da   fáscia   plantar   (doença  de Ledderhose). A incidência de doença de Peyronie tem sido estimada como 0,4-1,0% da população masculina de meia idade. É mais comum em homens com idade de 40 a  60  anos, mas  tem   sido   reportada   na   maioria   das   idades,  inclusive  nos adolescentes.  A etiologia desta condição é pouco conhecida, embora  em  alguns  casos  têm-se notado uma tendência familiar. Trauma é uma causa importante da fibrose corpórea; ela pode acompanhar uma fratura peniana ou injeções intracavernosas repetidas, por exemplo.
 

Priapismo

Priapismo é uma ereção que é mantida  anormalmente  apesar  da  ausência  de  um estímulo sexual.  Isto envolve somente  o  corpo  cavernoso  e, é  resultado  de  uma redução ou  perda  do  fluxo  venoso  normal  do  pênis  (priapismo  veno-oclusivo, isquêmico ou de baixo fluxo) ou, raramente, um influxo arterial  anormal  no  pênis (priapismo arterial, não isquêmico ou de alto fluxo).
 

Prótese

As próteses são semi-rígidas ou infláveis. Próteses semi-rígidas consistem de um par de cilindros siliconizados, que são inseridos diretamente no corpo cavernoso.  Dispositivos  infláveis  consistem  de  um   par   de   cilindros   conectados   a   um reservatório, e  uma  bomba  que  pode  ser  usada  para  movimentar  o  fluido  do reservatório para  os  cilindros  e  vice-versa, causando, deste  modo, enchimento e esvaziamento dos cilindros.  Estes dispositivos são caros e, com colocação tecnicamente mais difícil.
Antes da inserção de qualquer um destes dispositivos, é importante que os pacientes sejam  aconselhados  apropriadamente   e   tenham   uma   expectativa   realista   do resultado. Em particular, eles devem entender que a prótese não irá aumentar  a  sua libido e, que a ereção pode não ser tão rígida ou, algumas  vezes, tão  longa, quanto eles  esperavam  previamente. Eles  também  devem  ser   alertados   das   possíveis complicações, incluindo,  mais  comumente,  infecção,  desgaste   dos   cilindros,  e problemas mecânicos com estes dispositivos infláveis.  Estudos  têm  demonstrado  que, após  a  inserção  de  prótese, a  taxa de satisfação média é de 66% a 92 % para os pacientes e, 60% a 80%para as parceiras.