Hoje gostaria
de expor alguns trabalhos científicos
relevantes que foram apresentados no último
congresso americano de urologia ou da American
Urological Association (AUA) no final de abril
na cidade de Chicago, Estados Unidos da América.
O estudo apresentado pelo médico Ajay
Nehra de Minessota causou certo impacto na comunidade
médica lá presente. Ele estudou
2447 homens com queixa de disfunção
da ereção (DE). Destes, cerca
de 30% estavam usando medicamento para redução
do colesterol por uma média de 6 anos
chamados de estatinas. O achado mais importante
foi de que homens que haviam usado o produto
para redução das taxas de gordura
no sangue tiveram um risco reduzido de 37% de
desenvolver problemas de ereção.
Muitos colegas que estavam na plenária
saíram brincando que iriam iniciar a
usar tais produtos na mesma hora. No entanto,
surgem os questionamentos: 1) Este benefício
pode ocorrer com todos os tipos de medicamentos
para redução do colesterol ou
apenas um específico? 2) As estatinas
podem reverter casos de disfunção
da ereção já estabelecidas?
Na verdade ainda teremos de aguardar futuros
estudos para sanarmos estas dúvidas e
outras que surgirão, embora este estudo
inaugure mais um campo de pesquisa nesta área
de prevenção e ou reabilitação
da função sexual masculina.
Outro artigo importante foi o introduzido pelo
pesquisador John Colen do Texas. Ele estudou
um grupo pequeno de homens com câncer
de próstata que haviam sido submetidos
a cirurgia de extirpação radical
para tratamento do tumor. No entanto, 2 semanas
antes da cirurgia e três meses após,
ele dosou a concentração sanguinea
do hormônio masculino Testosterona. Ele
conclui que em homens que tinham dosagem de
testosterona sanguinea abaixo do normal antes
da cirurgia esta se tornou a nível normal
após a retirada da próstata. Estes
dados podem sugerir que a próstata pode
produzir um efeito inibitório na produção
de Testosterona.
Por fim, o Professor Gerald Andriole do Missouri,
apresentou os dados preliminares de um estudo
que pode vir a causar grandes desdobramentos
na quimioprevenção do câncer
de próstata. O nome deste grande estudo
é Reduce onde foram selecionados mais
de 8000 homens com risco de desenvolver o câncer
de próstata por apresentarem o marcador
antígeno prostático especifico
(PSA) entre 2,5 e 10 ng/ml, entre 50 e 75 anos
e volume prostático menor de que 80 cc.
Metade destes indivíduos tomaram um medicamento
chamado Dutasterida (Avodart®) por 4 anos
consecutivos. Este é um medicamento que
já existe no mercado brasileiro e mundial
para o tratamento de hiperplasia prostática
benigna ou tumor benigno de próstata.
Foram realizadas biopsias de próstatas
depois de 2 e 4 anos em todos os pacientes,
os que usaram o medicamento e os que não
usaram. A conclusão foi de que no grupo
que usou o medicamento houve uma redução
do risco de detectar câncer de próstata
de 23% em comparação com o grupo
que não fez uso da Dutasterida. Este
estudo muito bem conduzido pode ser um marco
na prevenção química de
homens com chance elevada de desenvolver o câncer
de próstata.
Eduardo B. Bertero
Médico Assistente do Departamento de
Urologia do
Hospital do Servidor Público Estadual
de São Paulo, SP.
e-mail: urologia-sp@uol.com.br
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